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O novo plano da China e o alerta para exportadores

Esse avanço já se reflete no comércio exterior


Esse avanço já se reflete no comércio exterior Esse avanço já se reflete no comércio exterior - Foto: Pixabay

A política agrícola chinesa dá sinais mais claros de mudança ao combinar aumento de produtividade com redução gradual da dependência de importações, em um movimento que reforça a segurança alimentar e reposiciona o país no mercado global. Segundo informações de Maria Flávia Tavares, economista e doutora em Agronegócios, com base no relatório Perspectivas Agrícolas da China 2026–2035, divulgado em 20 de abril de 2026 pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China e publicado pelo China Daily, o país vem consolidando um ajuste consistente em sua estratégia para o setor.

A diretriz está alinhada ao Plano Quinquenal e se traduz em metas de produção que sustentam a oferta interna. Para 2026, a estimativa é de que a produção de grãos alcance 716 milhões de toneladas, com alta de 0,2%, enquanto as oleaginosas devem avançar 2,6%. A produtividade média, próxima de 6 toneladas por hectare, aparece como um dos pilares desse processo, ainda que o ganho projetado seja moderado.

Esse avanço já se reflete no comércio exterior. As importações de soja devem recuar 6,1%, interrompendo pelo menos três anos consecutivos de crescimento. O mesmo movimento é observado em outros segmentos, como carne suína, com queda de 8,2%, e laticínios, com retração de 4,1%. A tendência não elimina a participação do mercado internacional, mas reforça seu papel complementar, inclusive com previsão de aumento em itens como aves.

Ao mesmo tempo, a China amplia sua presença exportadora em cadeias específicas. As vendas externas de frutas devem crescer 5%, enquanto as de hortaliças avançam 6,4%, sinalizando ganho de competitividade nesses produtos.

Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica e pressão sobre custos de energia, fertilizantes e logística, a estratégia chinesa também busca reduzir a exposição externa. No horizonte mais longo, a produção segue em expansão, enquanto o consumo desacelera e as importações perdem peso relativo, com possíveis impactos sobre o mercado global e sobre países exportadores como o Brasil.
 

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